Edson Calheiros e Elenita Queiroz iniciaram sua parceria através do Programa Vocacional Dança, da Prefeitura de São Paulo, em 2013. Através de várias ações artístico-pedagógicas realizadas ao longo daquele ano, surgiu o interesse em trabalhar conjuntamente numa investigação que partisse de referências primordiais do universo artístico afetivo de ambos, chegando-se à uma série de artistas e elementos da década de oitenta, basicamente a década de suas infâncias.
No entanto, ao deparar-se com tal material,
os criadores-intérpretes tiveram claro que não se tratava de um recorte dos
anos oitenta, mas uma travessia pela atmosfera das últimas décadas no século XX
no intuito de buscar convergências, atritos e sobreposições deste tempo-memória
com o tempo vivido dos dias de hoje.
A trajetória pessoal de cada um contribuiu
para compreender e elaborar as primeiras feições do projeto:
Edson atua como criador-intérprete há doze
anos, tendo sua formação sido balizada sempre por um diálogo
desterritorializado nas artes cênicas, em que elementos de teatro, dança e
performance foram gradativamente se combinando para gerar uma matéria cênica
que fosse ao mesmo tempo significante e presentificadora. Nesta perspectiva, os
jogos de linguagem são postos a serviço da emergência do espetáculo enquanto
encontro e troca mútua entre seus participantes.
Elenita é graduada em dança pela Universidade
de Campinas, tendo construído anteriormente uma formação plurisdisciplinar
(música, pintura, dança clássica, jazz). A partir das pesquisas desenvolvidas
ainda durante a graduação e posteriormente em parcerias e trabalhos solos tanto
no Brasil quanto em projetos colaborativos no exterior, pôde experimentar
elementos que foram sendo pouco a pouco trazidos para a criação de dança:
vídeo-linguagem, quebra da quarta parede e interação direta com o público, camadas
ficcionais na composição dramatúrgica em dança, entre outros.
Tais experiências, assim como a
participação em outros coletivos e companhias, serviram de estofo para propor
este projeto no seu formato: um conjunto de elementos estéticos e dramatúrgicos
que partem da dança e cultura corporal do final do século XX para debruçar-se
sobre a criação de um evento-espetáculo que evoca a ascensão do corpo em
persona midiática, destacada progressivamente de seu estado “natural” em
benefício de sua promoção enquanto moeda de troca simbólica na sociedade
contemporânea de produção e consumo de necessidades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário